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Qual o custo da operação do transporte coletivo?

10/09/2019 | Geral

Mão de obra é o principal custo fixo que incide sobre a tarifa, chegando a mais de 50% do valor da passagem, seguida pelos combustíveis

A mão de obra é o principal custo de operação do transporte público em Curitiba, na Região Metropolitana e em boa parte das cidades do país. Um estudo apresentado no XXIV Congresso Brasileiro de Custos, em 2017, mostrou que Curitiba (50,77%), São Paulo (47,10%), Salvador (46,58%), João Pessoa (45,07%), Porto Alegre (48,84%) e Manaus (52,25%) sofrem com o impacto dos custos de pessoal envolvido na operação do transporte: tanto motoristas e cobradores quanto o setor administrativo.

MOVE METROCARD entrevistou, com exclusividade, o superintendente da Associação Nacional dos Transportes Públicos (ATP), que falou sobre os principais fatores que impactam no custo da tarifa. Ouça agora:"

A planilha oficial, disponibilizada pela Urbs em seu site, mostra que 51,6% do valor pago se refere a gastos com pessoal e benefícios, encargos sociais e contribuições previdenciárias. Para o transporte metropolitano, o custo é de 52%. O segundo item que mais pesa na tarifa é o combustível, que varia de 14% a 24%, dependendo da cidade. Para a capital, a gasolina e o diesel representam 14% do valor da passagem e, na Comec, 25%.

Estima-se que existem pelo menos 107 mil veículos fazendo o transporte no Brasil, empregando 405 mil funcionários (entre postos diretos e indiretos) em todo o país, segundo a Associação Nacional dos Transportes Urbanos (NTU).

Custos fixos e variáveis no transporte

Há um cuidado a ser tomado na hora de fazer a composição da tarifa do ônibus. Existem gastos fixos – caso da mão de obra de motoristas e cobradores, assim como os encargos – que não variam, independentemente do número de pessoas transportadas e de viagens realizadas. Os custos variáveis, por outro lado, estão diretamente relacionados à quantia de viagens feitas."

Um estudo realizado pela Associação Nacional dos Transportes Públicos (ANTP) indicou os cuidados a serem tomados na hora de fazer a composição da tarifa. Um dos principais indicadores é o Índice de Passageiros por Quilômetro. O IPK resulta da divisão da média mensal de passageiros transportados pela média de quilometragem operacional programada. “Quanto maior esse indicador, maior é a produtividade do serviço de transporte, ou seja, quanto mais passageiros forem transportados com menos quilometragem, melhor”, diz a pesquisa da ANTP."

Não à toa, o transporte público enfrenta um momento crítico: quanto maior o número de passageiros, mais viável economicamente ele se torna. Só que a realidade se mostra contrária à teoria: em todo o país, o setor encara uma queda no número de usuários: de 1993 a 2017 houve uma redução de 35,6%, conforme a NTU.


Os motivos por trás da queda

Embora a tarifa seja um dos fatores que pressiona a queda de usuários, ela não é o único critério que pesa. Nos últimos anos, a crise econômica reduziu o número de vagas formais de emprego, o que repercute diretamente no total de passageiros e no de viagens realizadas. Além disso, a busca pelo transporte individual também influencia diretamente na saída dos passageiros dos sistemas das cidades."

Para o presidente executivo da NTU, Otávio Cunha, mais do que o preço, é importante garantir que o transporte público se desloque de forma mais rápida do que o individual. “Se o tempo de viagem foi reduzido e o serviço ser eficiente para atrair mais pessoas, as pessoas vão trocar o automóvel pelo coletivo”, opina.

O fator cobradores

Os cobradores respondem por cerca de 16% do custo do transporte público. Dos mais de 400 mil empregos formais gerados, estima-se que cerca de 200 mil sejam de cobradores, uma função vista cada vez mais como dispensável em prol de reduzir a tarifa. De acordo com a NTU, ao menos 58 cidades do país dispensaram os cobradores de parte ou de todas as linhas, sendo que 13 das 26 capitais retiraram parcial ou totalmente essa função: Belém, Belo Horizonte, Florianópolis, Campo Grande, Fortaleza, Goiânia, Macapá, Natal, Palmas, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Vitória."

Estima-se que, para cada ônibus, haja a necessidade de dois motoristas, dois cobradores e um profissional de mecânica ou administrativo. Para Néspoli, não há dúvida de que, no futuro, esse profissional deixará de existir."

De acordo com ele, é preciso que seja acompanhada de uma política de mitigação de problemas sociais, visando a absorção desta mão de obra no próprio setor, via capacitação e preenchimento de vagas do “turn over”. “A supressão do cobrador é inevitável a médio prazo, pois não resistirá ao avanço das tecnologias. Ademais, estima-se que o custo do cobrador no sistema de transporte por ônibus é de cerca de 16% no custo total operacional”, diz."

Fonte: Gazeta do Povo 

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