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Anuário NTU registra transporte urbano estagnado

08/10/2019 | NTU

Lançado durante o Seminário Nacional realizado em Brasília, o Anuário 2018-2019 traz artigos inéditos, um balanço de projetos na área de mobilidade urbana, o desempenho operacional do setor e um resumo de atividades desenvolvidas pela NTU durante o último ano

A série histórica mostrada pelo Anuário NTU aponta para uma redução de demanda de passageiros do transporte coletivo urbano por ônibus na casa dos 24,4% entre 1994 e 2012. Entre os anos 2013 e 2017 a queda foi de mais de 25,9%. No período de 2017 e 2018 houve uma estabilidade na demanda de passageiros; entretanto, no último ano (de abril de 2018 ao mesmo período de 2019) houve nova queda de 4,3%, o que significa que mais de 12,5 milhões de pessoas deixaram de usar o transporte público coletivo nesse período.

Os dados confirmam décadas de queda de demanda, o que tem impedido o setor de avançar como deveria. Para o presidente executivo da NTU, Otávio Cunha, também falta compromisso por parte do governo e da sociedade brasileira em priorizar o transporte público, em relação às opções individuais de deslocamento.

“Enquanto entraves históricos seguem à espera de uma solução, novos embates têm surgido e exigido maior vigor e comprometimento para que o setor possa avançar. Precisamos de maior cumplicidade entre todos os envolvidos, como empresas, poder público e, principalmente, a sociedade’’, pontua.

Investimento irrisório em infraestrutura

O Anuário apresentou também o cenário atual da Mobilidade Urbana no Brasil. Em razão dos eventos esportivos sediados no Brasil e do financiamento por meio de iniciativas municipais, foi anunciado um investimento da ordem de R$ 150 bilhões em mobilidade urbana. No entanto, de lá para cá, apenas R$ 14,2 bilhões foram efetivamente gastos em projetos que saíram do papel e que estão atualmente em operação. Outros dois fatores preocupantes apontados pelo documento foram a paralisação da evolução de projetos já apresentados e a falta de programas de financiamento com recursos relevantes.

A evolução do total de projetos ativos nas cidades brasileiras entre 2017 e 2019 é considerada pouco significativa. Existem atualmente 706 projetos de mobilidade urbana ativos, 12% a mais em relação a 2017 (632) ou 3% superiores a 2018 (691). Depois de um crescimento mais acelerado até 2017, o ritmo de elaboração e operacionalização desses planos reduziu-se de forma exponencial. Dos projetos ativos em 2019, 42% iniciaram sua operação, enquanto 19% se encontram ainda em obras e 39% estão em fase inicial.

Apenas três projetos entraram em operação no último ano: um sistema BRT e uma faixa exclusiva em Niterói (RJ), além de uma faixa exclusiva em Curitiba (PR). Um total de 248 projetos de priorização do transporte público por ônibus encontram-se parados, mesmo sendo operações de baixa intervenção urbana, menor demanda de recursos e de execução rápida.

Panorama: desempenho operacional do setor

A quilometragem produzida pelos ônibus em 2018 praticamente se manteve no mesmo nível do ano anterior, fruto da racionalização das redes de transporte público. Por sua vez, o índice de passageiros equivalentes por quilômetro (IPKe) registrou um aumento de 5,7% comparado a 2017, analisando a média de abril a outubro de cada ano. Isso foi ocasionado principalmente pela estabilidade de demanda e de uma pequena adequação da oferta dos serviços no período retratado. No entanto, o índice médio é o terceiro menor da série histórica, mesmo com pequena estabilidade do IPKe.

Quanto aos custos totais, a mão de obra segue representando 50% do valor do cálculo: o salário médio mensal dos motoristas foi de R$ 2.143,91 em 2018, 4,7% a mais que em 2017. Outro fator que interfere na composição dos custos é o preço do diesel — responsável por 22% do custo total — que aumentou pela quinta vez nos últimos seis anos.

Foram usadas como referência para os dados apresentados no Anuário as seguintes capitais: Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR), Fortaleza (CE), Goiânia (GO), Porto Alegre (RS), Salvador (BA), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP). Embora pouco significativas numericamente em um universo de 2.901 municípios brasileiros atendidos por serviços de transporte coletivo, essas nove cidades respondem por 32,5% da frota total de ônibus e 34,1% da demanda de passageiros atendidos em todo o país, sendo possível coletar por meio delas uma amostra relevante do desempenho do setor.

Alternativas setoriais

Apesar do cenário desfavorável, os principais agentes de mobilidade urbana não ficaram de braços cruzados. A publicação Construindo Hoje o Amanhã – Propostas para o transporte público e a mobilidade urbana sustentável no Brasil traz uma série de propostas que, uma vez executadas, trariam inestimáveis benefícios a curto, médio e longo prazo. ‘‘Os cinco programas que compõem a proposta podem ser resumidos em uma única bandeira que representa, de fato, o anseio da grande população brasileira que utiliza diariamente esse serviço público essencial para a vida nas cidades: ‘Por um Transporte Público com Qualidade, Transparência e Preços Acessíveis aos passageiros’’, disse o diretor administrativo e institucional da NTU, Marcos Bicalho dos Santos.

A Inovação também é vista como um fator fundamental para a melhoria do transporte urbano no país: o COLETIVO, programa de inovação lançado pela NTU, tem como objetivo criar um ambiente de soluções inovadoras para o transporte público, proporcionando a criação de um hub nacional de inovação. Para o diretor técnico da entidade, André Dantas, ‘‘A oportunidade é aproveitar as características locais, que permitem a adoção de soluções em escala por meio de soluções criativas e transformadoras’’.

Matéria publicada na Revista NTUrbano Ed. 40 Julho/Agosto de 2019

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