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Mobilidade urbana ao alcance das mãos

24/07/2018 | Geral

Acessibilidade é um tema sensível e que merece atenção por parte de toda a sociedade. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base no Censo de 2010, o Brasil possui 45,6 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, das quais cerca de 35 milhões são deficientes visuais. Investir em ações que possam facilitar a rotina dessas pessoas e tornar o transporte coletivo e a mobilidade urbana mais inclusivos é essencial.

Desde 2008, os ônibus saem de fábrica com todos os itens de acessibilidade determinados pelas normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Aos cegos e pessoas com baixa visão são garantidos espaços reservados nos coletivos para aqueles que estiverem acompanhados de cão guia, assento preferencial e indicações táteis no interior dos veículos.

Recentemente, novas soluções para as necessidades das pessoas com deficiência visual começaram a ser implantadas nas cidades. Aplicativos de mobilidade específicos e placas em braille com informações sobre as linhas de ônibus surgiram para auxiliar e oferecer mais liberdade para quem utiliza o transporte coletivo como meio de locomoção.

 

Placas em Braille

Motivado por um debate sobre mobilidade urbana, realizado por técnicos da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) em sua universidade, o estudante de arquitetura, Cristiano Torres, decidiu pensar em soluções para o cotidiano das pessoas com deficiência visual de Porto Alegre (RS).

Ele criou o projeto “Braille em Placas de Sinalização das Paradas” depois de observar durante o uso do transporte público que havia indicações táteis em botões dos coletivos e orientações nos pisos das estações, mas faltavam informações em braille nos pontos de ônibus. Ele foi o vencedor do 2° Desafio Microrrevoluções Urbanas, promovido pela Coordenação de Educação para a Mobilidade da EPTC, que incentiva ideias inovadoras na área da mobilidade urbana.

Para Cristiano, esse trabalho é uma maneira de investir na qualificação dos serviços prestados à população. “A mobilidade urbana contribui para a inclusão social nas cidades ao criar uma dinâmica que garante autonomia, bem-estar e facilita a vida de todos os interessados”, diz.

Após a criação da ideia, segundo informações da EPTC, serão implantadas 132 placas indicativas em braille com informações sobre linhas de ônibus nas principais paradas da cidade. A iniciativa também conta com a parceria da Associação dos Transportadores de Passageiros de Porto Alegre (ATP), que viabilizou a implementação do projeto ao apoiar financeiramente a produção das sinalizações.

O diretor executivo da ATP, Gustavo Simionovschi, reitera que quase 80% da frota de ônibus da cidade possui acessibilidade. “O nosso transporte é de massa, portanto é para todos, e como tal deve ser acessível. É muito satisfatório contribuir com uma iniciativa tão importante para a cidade”, afirma.

 

Tecnologia acessível

Outro recente facilitador da relação entre deficientes visuais e transporte público é o aplicativo “Todos nos ônibus”. O novo dispositivo de mobilidade foi desenvolvido pela Agência Municipal de Tecnologia da Informação e Inovação (Agetec) para atender aos 523 usuários com limitação visual que utilizam o serviço das empresas de ônibus de Campo Grande (MS).

A ferramenta possui características importantes para um funcionamento satisfatório, mas para o diretor-presidente da Agetec, Paulo Fernando Garcia Cardoso, a participação dos usuários foi determinante para alcançar bons resultados. “O grande diferencial está na forma como o processo foi conduzido, contemplando em todas as etapas as opiniões e críticas das pessoas que realmente vão utilizar essa tecnologia”, destaca.

Todos os veículos da frota possuem dispositivo móvel instalado que emite aviso sonoro e informa ao motorista o nome completo do usuário que solicitou o embarque pelo smartphone e a sua localização. Os interessados em utilizar o aplicativo devem se cadastrar na concessionária de transporte público e ter o CPF habilitado. “Essas exigências garantem que, ao solicitar o embarque especial, as informações pessoais daquele usuário serão apresentadas ao motorista para que ele possa adotar as medidas necessárias para o sucesso de cada embarque”, explica o diretor-presidente da Agetec.

A importância da aplicação de soluções acessíveis no setor é reforçada pelo vice-presidente da Organização Nacional dos Cegos do Brasil (ONCB), Beto Pereira. “O transporte público garante o direito básico do cidadão de ir e vir. Devemos pensar em adaptações com padronização nacional para incluir e auxiliar as pessoas com deficiência visual conforme as normas determinadas por lei”, defende.

Beto Pereira ainda afirma que o investimento em treinamentos é fundamental para garantir a efetividade das ações de acessibilidade. “Para atender às necessidades dos deficientes visuais, é extremamente urgente investir na capacitação humana dos profissionais, de modo que possam receber essas pessoas e colaborar com os projetos”, alerta.

 

*Materia publicada na Revista NTUrbano , na edição maio/junho de 2018.

 

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