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A Era da Colaboração e da Inteligência Coletiva

22/05/2018 | Artigo

A edição de aniversário da Revista Exame - 50 anos, com a capa “Nasce a Cidade do Futuro”, apresenta Medellín, na Colômbia, como sendo uma das cidades sustentáveis, inovadoras e boas para se viver, trabalhar e empreender. O interessante é que, na década de 1990, Medellín estava associada ao cartel de drogas liderado pelo traficante Pablo Escobar. A transformação de Medellín, de acordo com a Revista, só foi possível graças à colaboração e integração entre os setores público e privado.

A colaboração envolve novas formas de criação e desenvolvimento de produtos ou serviços com experiências, por meio da participação colaborativa das empresas, dos consumidores e dos fornecedores. Nessa nova prática, todos esses atores estão interligados em uma rede de inovações.

No setor de transporte coletivo no Brasil, já temos disponíveis várias tecnologias e aplicativos que visam melhorar a experiência de quem se move diariamente pela cidade. Entretanto, o grande desafio para a maioria dessas tecnologias é como melhor usar a colaboração e participação da comunidade que utiliza o transporte, integrando os dados estáticos do transporte público e de operadores de trânsito com dados em tempo real coletados de usuários, gerando assim inteligência coletiva em prol de uma melhor mobilidade urbana para todos.

Um ponto que tem preocupado as entidades do sistema de transporte coletivo é a proliferação de aplicativos, ou até mesmo comunidades de “carona solidária” nas mídias sociais, que possibilitam a uma pessoa viajar com outras em um carro e dividir as despesas. Tais iniciativas têm contribuído para a redução do número de passageiros transportados, e as empresas operadoras os encaram como uma concorrência desleal, pois muitas vezes cobram taxas, além de privilegiarem o transporte individual, apesar de pregarem a utilização total da lotação dos carros.

Não podemos negar que o futuro das atividades laborais e produtivas passa, necessariamente, pela utilização cada vez mais intensa da tecnologia em todas as suas formas, embarcadas nos veículos, na Internet, nos sites, apps etc., mas nem toda iniciativa se justifica, por mais inovadora ou tecnológica que seja, se não comungar com os princípios básicos da legalidade, cidadania e priorização do transporte coletivo em prol da mobilidade urbana e sustentabilidade do planeta.

As novas tecnologias precisam melhor utilizar a colaboração e a participação coletiva dos clientes e usuários, convergindo para a “inteligência coletiva do transporte”, em prol de uma melhor mobilidade urbana para todos.

É claro que os líderes, os mestres, os estudiosos e os especialistas não vão acabar. Mas o poder de concentração de conhecimento e opinião neste cenário sócio-cultural-tecnológico atual dará lugar sistematicamente a iniciativas que trabalham com a inteligência coletiva, pois o saber está na humanidade, já que ninguém sabe tudo, porém todos sabem alguma coisa.

 

ROBERTO SGANZERLA é especialista em Marketing de Transportes e Mobilidade Urbana, com mestrado em Liderança pela Andrews University dos Estados Unidos, MBA em Gestão de Negócios e Liderança e pós-graduação em Marketing.

 

Artigo publicado na Revista NTUrbano, edição março/abril 2018.

 

 

 

 

Tópicos
Brasil - transporte público - NTU Urbano - mobilidade urbana - investimentos
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